terça-feira, 1 de novembro de 2016

E eu
que não creio
em deus
me pego em oração
entre
as coxas

de uma santa

JARDINEIRO


Cid Augusto - 20.10.2016 - Dia do Poeta

Tudo o quanto sacode à flor da vista
São marcas do jardim revisitado
Pelos olhos furtivos de um artista
Que se vê nas ruínas do passado.

Dos escombros, silêncios vão e gritam
Sem dó nem piedade da garganta,
Que embora se arrebente não se espanta
Com versos estridentes que a fustigam.

As palavras sussurram loucamente:
Elas riem e choram num instante,
Depois choram e riem de repente.

São vozes da loucura, a fantasia
Do jardineiro velho, delirante,
Que planta pedra e colhe poesia.
MOTE
MAS A LUA SE ESCONDEU
PARA NÃO ME VER CHORAR

GLOSA
Quando em mim anoiteceu,
Nebuloso e sem estrela,
Implorei, queria vê-la,
MAS A LUA SE ESCONDEU.
Sumiu, desapareceu
Das canções do meu olhar.
E eu fiquei a imaginar,
Entre a certeza e o talvez,
Que ela fez tudo o que fez
PARA NÃO ME VER CHORAR.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

SONETO PARA SAMARA


Ninguém pense que a História teve um fim,
Que vamos percorrer, por em diante,
Estradas um do outro o mais distante,
Sobre escombros das flores de marfim.

Nada valem os meus ou seus tropeços.
O poço, o tempo bom e um rebento
Revelam que, na paz ou no lamento,
Para nós, Deus só traça recomeços.

Nos amamos de todas as maneiras,
Numa guerra de paz e sem trincheiras,
Além da carne, a alma é nosso andor.

Assim, não dói bradar nesta cantiga:
- Saibam todos que o meu antigo amor
É agora a mais nova e doce amiga.

domingo, 8 de maio de 2016

DESCOBERTA DO MUNDO


Segundo G.H., a paixão cega.
Assim, ela me lê sem dar por lida
À luz verde que salta ensandecida
No livro dos prazeres e da entrega.

Gosto de ver Clarice nesta trama,
Pois, se a felicidade é clandestina,
Via crucis do corpo ou velha sina,
Toda maçã no escuro cai na cama.

- Onde estiveste, Flor, ontem de noite
Quando a carne, no grito e no açoite,
Rebentou a cidade sitiada?

- Legião Estrangeira! Vem! Coragem!
Que na hora da estrela anunciada,
Perto do coração, tudo é selvagem.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

O NARRADOR




Ontem fiz um discurso. Se é que meia dúzia de palavras encangadas umas nas outras merece esse rótulo, no sentido mundano da palavra. Não o discurso da Escola Francesa, não o discurso do Ciclo de Bakhtin, que se forma de todas as matérias, inclusive do silêncio e do esquecimento. Refiro-me à oratória, à técnica dos que seduzem as palavras na ponta da língua, diferentemente de mim, que já acordei com 14 anos de idade, trepado numa máquina de escrever.

Não sei dizer nada que não se imprima em letra. Outrora, no papel tabulado para suportar 30 linhas de 70 toques. Hoje, a tela do computador no formato A4 e margens que o bicho determina é a superfície onde me jogo que nem Rogério Dias, Laércio Eugênio, Everaldo Botelho, Marieta Lima, Anabela, na expectativa de pintar a cena que me chega de boca em boca, com as tintas da história e as marcas secretas das identidades de cada indivíduo que me conta algo.

Gozo quando a imagem emprenha o verbo para se procriar em Times New Roman, como se dominasse o formão que fez de um tronco, o capoeirista, de Escravo; e, de um paralelepípedo, a cabeça tridimensional, de Marcelo Amarelo. Escrever é lírico em Marcos Ferreira, militância em Caio César Muniz, tradição em Antônio Francisco, metalinguagem em Aluísio Barros. É o que me cai ao bucho, porque escrevo por função desde quando me entendo por coisa.

Meus suspiros, contudo, estão contados: li há pouco em Walter Benjamim, que “a arte de narrar está em vias de extinção”. Poucos, instigados a fazê-lo, conseguem reproduzir as experiências vivenciadas ou conhecidas por fontes indiretas, a exemplo dos livros. Sendo, no raso e no fundo, o moleque que largou a escola sem aprender a estética da criação verbal, autodidata que nem a fórceps arrancaram das entranhas da burrice, sinto-me a prumo da desinvenção.

Tivesse herdado de meu avô! Aí, sim, meu avô era “o narrador”. Recriava-se no raciocínio veloz. Narrava! Todos parados, ouvindo. Era Leskov para Benjamim, à vontade no tempo, no espaço. Conheceu o mundo e o mundo nunca lhe foi maior que a aldeia que o viu nascer, crecer, finar-se. Por isso, desvendava universos nas ruelas provincianas, na memória coletiva qual Halbwachs, e sua palavra era a convergência das palavras latentes nos sem-rosto da multidão.

Mas só trago no sangue, que falo de mim ao dizer dos outros, tendo tanto de todos quanto a multidão que sou, na esperança de existir num corpo metalinguístico disforme onde o suor não apodreça a alma. E atenção: desconheço quantos leitores há do lado de lá, se há. Escrevo como me digo aqui, conversando com esse e aquele, cara a cara, na linha melódica dos meninos Sabiás do Rabo da Gata, somente para você, às margens da prosa enlatada dos eruditos.

Fonemas engarrafados, tudo bem. Até bebo. Depois da terceira dose de modernidade líquida, sem gelo, até Zygmunt Bauman tem argumentos sólidos para descrever o caráter estático da sobriedade acadêmica, túmulo do discurso, da memória, da identidade, do enunciado, da enunciação e do infeliz que atravessa a nado o oceano de orações subordinadas e morre na praia ao saber que narrativa de gente de mermo-mermo não molha a goela do doutor.

domingo, 17 de janeiro de 2016

TERREMOTO



Falaram na TV em terremoto sei lá onde, na tal da escala Richter, e imediatamente me lembrei de Luiz Maria Alves, falecido ex-diretor dos Diários Associados do Brasil no Rio Grande do Norte. Estive com ele em dezembro 1986, acompanhando meu pai à sede do poderoso e temido Diário de Natal/O Poti, justamente na época em que a terra andou tremendo para as bandas de João Câmara.

O velho jornalista nos recebeu na companhia do grande Evaristo Nogueira, que deixara os microfones da Rádio Tapuyo de Mossoró, onde trabalhava desde o início de sua carreira no ano em que nasci, 1971, para narrar futebol e fazer comentários esportivos na mídia natalense. Vavá Maravilha, há anos em Fortaleza, foi também vereador, três vezes, e numa delas presidiu o nosso Legislativo.

Seu Alves, uma figura interessantíssima. Talvez fosse, naquela época, o homem mais poderoso do Estado, versão potiguar de Assis Chateaubriand, e mesmo assim fez questão de nos levar pessoalmente a todas as dependências do jornal. O detalhe é que apontava cada coisa que julgava importante mostrar com um revólver calibre 22, niquelado, que de vez em quando sacava do bolso da calça.

Na volta à sala da diretoria, servido licor, meu pai perguntou sobre os terremotos de João Câmara. Era madrugada quando o abalo sísmico de magnitude 5.1 danificou cerca de três mil casas nos arredores de seu epicentro, venceu a distância de quase oitenta quilômetros e se fez sentir em Natal. Eu assistia TV deitado na sala do apartamento que tínhamos no condomínio Vila Romana. Susto da porra.

Cometi a gafe de me intrometer no assunto: “Li no Correio Braziliense – que meu avô trazia quinzenalmente da Capital Federal – que no Japão os prédios são construídos sobre molas, para neutralizar o impacto dos terremotos”. Na hora, ninguém deu cabimento. À tarde, porém, toca o telefone. De lá, a pessoa identifica-se, “É do Diário de Natal”, e pede que eu espere enquanto transfere a ligação.

Atende Evaristo Nogueira, querendo me entrevistar. Luiz Maria Alves, segundo ele, impressionara-se com os “conhecimentos” do “menino de Mossoró” sobre “engenharia japonesa”. Gelei, o Diário era o “Diário”, e sempre fui reservado, além de muito tímido. Para piorar, sabia nada afora o que lera por acidente. Daí, recusei-me a dar a entrevista, mas carrego até hoje o convite no currículo.

domingo, 10 de janeiro de 2016

LEMBRA DE MIM?


Escrevi certa vez sobre a dificuldade que tenho de memorizar nomes próprios – e fisionomias também, mas em menor proporção. Não raro, entro em terríveis saias justas quando encontro pessoas das quais até recordo, sem, contudo, a generosidade estratégica dos “detalhes”.
Para agravar as consequências da leseira crônica que me habita desde menino, não sei mentir, o que, em determinadas situações, pode ser defeito tão ou mais terrível quanto essa amnésia. Se alguém faz a sacanagem de perguntar “lembra de mim?”, respondo a verdade. Na lata!
Sou sincero. Há cerca de 10 anos, possuí um carro velho que dava o prego de metro a metro. O bicho enganava bem, era bonito, parrudo e tinha charmoso sotaque russo. Por isso, atraiu muitos compradores no instante em que abdiquei do masoquismo, anunciando sua venda.
Todo mundo pegava bandeira. O problema é que, ao indagar sobre manutenção, consumo, desempenho, a resposta era objetiva: “Excelente para quem aprecia dor de cabeça”. Até que um doido comprou o bicho e ainda voltou, meses depois, para relatar a “felicidade” com o negócio.
Recentemente, uma jovem adicionou-me aos seus amigos do Facebook e, de cara, lançou o questionamento: “Lembra de mim?”. Cutuquei a memória, revirei os perfis da figura nas redes sociais. E necas de pitibiriba. O jeito, então, foi assumir: “Infelizmente, não. Mil perdões”.
A figura insistiu: “Vc conhece Beltrana?”. Pausa, pesquisa, neurônios em parafuso. Negativo. Aí veio a lapada: “Vc foi muito mal-educado”. Repeti as desculpas, tentei explicar, sem sucesso: “Está desculpado. Somos obrigadas a conviver com gente assim… infelizmente”.
No mesmo dia, fui a uma festa com minha mulher, que sempre me salva com a questão dos nomes. Em determinado instante, ela se afastou para cumprimentar alguém, deixando-me à mercê desta memória lascada, ocasião em que um colega se chegou com um desconhecido.
Depois de me abraçar, o tal amigo apontou para o cara ao lado e fez a pergunta cruel: “Lembra de Fulano?”. Ora, ressabiado com o carão de há pouco, falei “sim”, sem pestanejar, realçando o i e o eme, algo como “Siiiimmmm!”, na vã expectativa de evitar o constrangimento.
O sujeito, no entanto, não se fez de rogado: “Mentira! Você não me conhece nem conheço você”. Três uísques para engolir a segunda porrada, por motivos opostos da primeira, e a consciência ficou tranquila, porque, se vier a reencontrá-lo, dizer que não recordo será verdade.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Nosso papel é a notícia


Não trago no bolso um discurso pronto sobre a última edição impressa do O Mossoroense. Na verdade, nem me preocupei em garimpar palavras especiais para este significativo momento.
Talvez por saber que, em quase um século e meio de existência, o jornal de Jeremias da Rocha Nogueira sempre cumpriu o seu dever, vivenciando o espírito de cada época de braços dados com o futuro.
Em 1986, quando cheguei aqui, ainda se utilizavam tipos móveis na confecção dos títulos e as matérias eram compostas em máquinas de datilografia elétricas. Esse material ganhava forma depois de recortado com tesoura, diagramado em papel 40, fotografado numa máquina gigante denominada fotolito, gravado em chapas de metal sensíveis à luz e impressos no sistema offset, numa Big Chief 29.
Informações de outros lugares nos chegavam via telex e somente depois – muito depois – por fax.
Veio a Forma Composer, o microcomputador, a internet, chegaram os tablets, os celulares, os smartphones, as redes sociais.
Desde 1999, a “folha centenária” se apresenta em ambiente virtual, primeiro de forma estática, repercutindo o conteúdo impresso. Com a implantação do jornalismo on-line, o processo inverteu-se: a plataforma de tinta e papel passou a servir de eco ao que se publicava na rede mundial de computadores.
Os leitores também mudaram o comportamento. De cem acessos digitais contra tiragens que atingiam cinco mil exemplares, chega-se à distância abissal entre as 80 mil páginas virtuais acessadas e os mil exemplares tirados por dia.
O passo de hoje é necessário e natural, embora pareça tão ousado e pioneiro quanto o de Jeremias da Rocha Nogueira, naquele 17 de outubro de 1872.
Tenho orgulho de fazer parte desta história e desta equipe que testemunha a inauguração de uma nova era para o jovem centenário que não se assombra com as transformações e não tem medo de evoluir.
Ou alguém acha que deveríamos, por saudosismo, voltar aos tipos móveis?
“O meio”, já dizia McLuhan, “é a mensagem”. Nosso papel é a notícia. E o mundo, nosso limite.

sábado, 28 de novembro de 2015

Tidó



Conhecia Tidó desde sempre. Foi ídolo de gerações. Meu pai, criança, ouvia suas aventuras. Eu, menino, viajava nas histórias sobre o Mar das Maias, as botijas, as façanhas do lendário Jeremias, o batatão, a nuvem chupando água, os mal-assombros, as pescarias épicas.

Ele e Ananias, outro lobo do mar, presenças constantes no alpendre de meu avô, ali na franja da Pedra da Sereia, perto de Zé Chorão, onde a princesa encantada era prisioneira do monstro devorador dos homens que tentavam resgatá-la do feitiço sabe-se lá de quem.

Zé Chorão tinha um restaurante no sopé do Morro das Sete Cores, ao lado de uma vertente cristalina. Lembro-me dele vagamente, embora saiba que são seus filhos Cid, Célia, Cesar, Rosalina, Vilma, Dalila e Sansão, cujos nomes Rafael da Agrotec não me deixa esquecer.

Ananias partiu faz tempo. Antes do que Pirá, o mecânico que via elefantes verdes nas imediações dos pingas. Tidó viveu 92 anos, segundo soube, tanto ou mais que Ananias, que era muito idoso, embora não saiba dizer o quanto. Pirá se foi jovem, por culpa do alcoolismo.

Meus três filhos, fiz questão de apresenta-los a Tidó. Certo dia, chamaram-me à direção da escola de Cid Filho, o do meio. Os colegas – queixavam-se pais sem imaginação – tiveram pesadelos depois de ouvirem o causo do homem que encontrou o tinhoso embaixo d’água.

A história é engraçada e foi contada por Tidó a meu tio Laete. Disse-lhe que pescava a 70 quilômetros da costa com dois companheiros numa jangada. Na hora do retorno, a fateixa (espécie de âncora) estava enganchada no fundo e ele mergulhou para resolver o problema.

Quando nosso herói aproximou-se, a surpresa: quem o esperava – de rabo, chifre, barba e bigode – era o capiroto em pessoa. Ao vê-lo, o tinhoso, o coisa ruim, começou a soltar fogo pelos olhos, enquanto girava a cabeça no próprio tronco e o desafiava de tridente em riste.

Os companheiros da lida das marés não chegaram a ver o beiçudo, porque lhes faltou a coragem do amigo para conferir o fato, mas garantem que em consequência do susto, os olhos de Tidó encostaram-se um no outro e, a partir daquele momento, o cabra ficou zarolho.

Tidó é inesquecível igual a Ananias, Pirá, Zé Chorão, que nem Josefina, a inventora das garrafas de areias coloridas, personagens da Tibau de morros exuberantes, do grude e do gelé. O velho pescador foi navegar no mar da saudade. E lá vai ele na barra do horizonte.


sábado, 17 de outubro de 2015

EU QUERO TE COMER



“Eu quero te comer”, disse a japonesinha em português. “Eu quero te comer também”, respondeu o interlocutor, enquanto apertavam-se as mãos e se curvavam em respeitosa reverência. Era a primeira vez que se viam, apresentados por um amigo comum de São Paulo, no ponto onde esperavam o ônibus que os levaria de Brighton às Seven Sisters, famosas montanhas de giz de East Sussex, no Sul da Inglaterra.

Nem estava tão gelado. Nem estava chovendo. Dia raro para um janeiro britânico. Se o Sol não fosse decorativo, se não pudesse ser encarado a olho nu, daria para tirar jaqueta, luvas, gorro e sair batendo perna por aí, sem as ceroulas por debaixo da calça jeans. As meias grossas. Tênis em vez de botas. Sem rumo. Se bem que o cenário tornava todo sacrifício confortável. A companhia de olhos apertados, idem.

O rapaz olhava a moça cima a baixo como quem chupa juízo. A moça olhava o rapaz baixo a cima como quem lambe pensamentos cabeludos. Sorriam, embora não se encontrassem nas retinas. Talvez por vergonha, apesar da suposta objetividade das palavras introdutórias. Aqui e acolá arrastavam-se em sotaques sobre o inglês de lugar nenhum. Dava pro gasto, para se entenderem, e isso bastava.   

Na primeira fila do primeiro andar do ônibus, a vista era só deslumbre. O mar quando dava o ar da graça arregalava olhos azuis atiçando a maresia. Imensos! Contraponto aos olhos verdes da terra derramada em campos largos que nem os da fazenda do avô sertanejo nos raros milagres do inverno. A civilização agarrava-se a pequenas cidades góticas, que pareciam gritar algo nonsense, algo Lewis Carroll.

O veículo parou no parque. O rapaz rústico, lorde pelas circunstâncias, porque o frio deixa qualquer pessoa elegante, ofereceu o ombro como apoio na descida da escadaria. A moça tímida, aquiesceu com o recato oriental em gestos miúdos. Caminharam. Pastos. Lagos. Sobe. Desce. Sete irmãs surgem alvas instigando com inquietante verticalidade o infinito horizontal do oceano. Quanto há tântrico, santo Deus!

Escancharam-se na cacunda de uma delas, que nem se deu conta, e contemplaram a atração do abismo até que o cansaço e a vertigem venceram e os fizeram recuar, ofegantes, ao abrigo da árvore magricela de cabelos penteados na ventania. Então, pelo clima imaginário, pelo cenário, ninguém sequer ao longe, escapuliu a pergunta fatídica: “E aquela coisa de ‘eu quero te comer’, sabes o que significa?”.

Tivesse a boca engolido a dúvida, tivesse ouvidos de mercador, tivesse estrangulado a ternura entre as pernas, talvez não acusasse o golpe. “Sim, claro que sei” – vem a resposta de sílabas realçadas no acento preciso da lâmina samurai – “indaguei ‘como vai você’, no seu idioma... Não foi?”. Aí, man, voltaram para casa, a menina ainda ingênua e o menino que não teve a coragem de lhe roubar a inocência.