sábado, 12 de fevereiro de 2022

TOME O RUMO DA VENTA, CRIATURA!

 Frequento redes sociais desde o começo delas no Brasil. Tive IRC, Orkut e circulava pelos bate-papos do UOL. Muito antes, ouvia conversas no 145, o “disque-amizade”, fui PX e radioamador. Aprendi até a telegrafar com o professor Eugênio Silva Filho, no QRV Clube, ao lado de dois gênios daquela arte, Xavier Júnior e Emerson Azevedo Júnior. Sempre gostei de confabular, e alguns mecanismos facilitavam a vida do menino tímido.

A contar dos primórdios, especialmente depois que a Internet superou o grito, o tambor, a fumaça e o satélite, nunca invadi o espaço das pessoas ligadas a mim por esses elos invisíveis para falar ou escrever algo que não fosse edificante. Se discordo, não avanço o território alheio dizendo desaforos ou tentando impor meu modo de enxergar as pessoas, a religião, a política. No máximo, ofereço elementos para um debate saudável.



Minhas idiossincrasias nascem e morrem em ambiente próprio. Quem chega ao que produzo por estas bandas, vem de livre e espontânea vontade, suponho, porque gosta do que escrevo ou me tem por gente boa – Entre os tipos de jornalistas, segundo andei lendo por aí, há bons repórteres que são redatores sofríveis, ótimos redatores que são péssimos repórteres, os privilegiados que dominam as duas artes e os que são só gente boa.

Nunca temi críticas nem me ofendem pontos de vista discordantes. Do contrário, parodiando Drummond, não me contaria de peito aberto como quem grita, como quem despe a alma em praça pública. Alegro-me quando o leitor reage e fico triste, à moda Manuel Bandeira, se não tem “motivo nenhum de pranto”, de riso, de reflexão, de indignação. A única coisa exigida, em um ambiente civilizado, é a cordialidade no debate.

Em regra, não discuto comentários. Limito-me a “curti-los” em reverente agradecimento, sejam positivos ou negativos. Deixo para cada leitor a tarefa de garimpar as ideias em debate e formar sua opinião. Nunca, em hipótese alguma, vou a redes sociais de terceiros destilar impropérios. Quando surgem temas polêmicos sobre os quais desejo me posicionar, faço isso por aqui, com o zelo de não entrar na esfera pessoal de ninguém.

Mesmo assim, tenho me deparado com indivíduos que rompem as fronteiras imaginárias da Web e, embora sem vinculação às minhas mídias sociais, alguns escondidos por trás de identidades falsas, tentam me constranger com indelicadezas. Certa feita, vi-me obrigado a “privatizar” o Instagram e o Facebook, pois, além de agressões gratuitas, robôs passaram a disparar contra mim e meus amigos, a ponto de fazer eu me sentir na Matrix.

Estranho. Freudiano, talvez. Se fulano ou beltrana não gosta de quem sou, do sobrenome que tenho, da minha descrença ou ideologia, do que penso, da prosa e do verso que entorno pelos bares, da coragem de quebrar tabus e da louca paixão pela liberdade, por que cargas d’água perde tempo comigo? Crie tenência, criatura, tome o rumo da venta, porque a única resposta que terá de mim será a eloquente explosão do silêncio.

4 comentários:

Cilon disse...

Você é grande poeta e escritor Cide Augusto. A oposição que lute!

Francisca Ramos disse...

Reflexão muito pertinente. Escrita viva!
Você é gente que significa, que faz a diferença.

Francisca Ramos disse...

Reflexão muito pertinente. Escrita viva!
Você é gente que significa, que faz a diferença.

Unknown disse...

E assim a força da literatura e do poeta Cid, fortalece o jornalismo nosso de cada dia!