sábado, 2 de março de 2013

SEM SENTIDOS



Vê-se a rua vazia
por retângulos verticais,
deserta e oprimida
entre ombros de calçadas.

Surda, não quer saber
destas palavras
que rompem o silêncio
e o abismo
da mão à caneta.

Muda, de pirraça,
não fala o que já se sabe
e se insiste dessaber.
Medo da eloquência
da língua adormecida
em outros berços.

Ah, o cheiro
que entrelinha os devaneios
faz lembrar a liberdade
que fugiu janela fora.
Era como?
Perfume de madrugada
amanhecida!

Toca com a ponta dos dedos
hesitantes
o aço da solidão
em volta do pescoço,
dos punhos e tornozelos.
No outro lado,
elo após elo,
a alma,
poema concreto,
arrasta o corpo
às profundezas.

E, como se não bastasse,
este gosto de anteontem
que só foi percebido
agora.

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