quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
PEQUENO AMIGO, GRANDE POETA
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
domingo, 4 de dezembro de 2016
QUÍMICA
Cid Augusto
Tudo começa
na palavra
e a palavra
faz-se
alma
e a alma
transforma-se
em carne
com as curvas
e os olhos
verdes
de um soneto
que adora
deflorar a métrica
transar a rima
e cair na gandaia
dos meus versos
livres.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
JARDINEIRO
terça-feira, 16 de agosto de 2016
SONETO PARA SAMARA
domingo, 8 de maio de 2016
DESCOBERTA DO MUNDO
Segundo G.H., a paixão cega.
Assim, ela me lê sem dar por lida
À luz verde que salta ensandecida
No livro dos prazeres e da entrega.
Gosto de ver Clarice nesta trama,
Pois, se a felicidade é clandestina,
Via crucis do corpo ou velha sina,
Toda maçã no escuro cai na cama.
- Onde estiveste, Flor, ontem de noite
Quando a carne, no grito e no açoite,
Rebentou a cidade sitiada?
- Legião Estrangeira! Vem! Coragem!
Que na hora da estrela anunciada,
Perto do coração, tudo é selvagem.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
O NARRADOR
domingo, 17 de janeiro de 2016
TERREMOTO
Falaram na TV em terremoto sei lá onde, na tal da escala Richter, e imediatamente me lembrei de Luiz Maria Alves, falecido ex-diretor dos Diários Associados do Brasil no Rio Grande do Norte. Estive com ele em dezembro 1986, acompanhando meu pai à sede do poderoso e temido Diário de Natal/O Poti, justamente na época em que a terra andou tremendo para as bandas de João Câmara.
domingo, 10 de janeiro de 2016
LEMBRA DE MIM?
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Nosso papel é a notícia
Talvez por saber que, em quase um século e meio de
existência, o jornal de Jeremias da Rocha Nogueira sempre cumpriu o seu dever,
vivenciando o espírito de cada época de braços dados com o futuro.
Em 1986, quando cheguei aqui, ainda se utilizavam tipos
móveis na confecção dos títulos e as matérias eram compostas em máquinas de
datilografia elétricas. Esse material ganhava forma depois de recortado com
tesoura, diagramado em papel 40, fotografado numa máquina gigante denominada
fotolito, gravado em chapas de metal sensíveis à luz e impressos no sistema
offset, numa Big Chief 29.
Informações de outros lugares nos chegavam via telex e
somente depois – muito depois – por fax.
Veio a Forma Composer, o microcomputador, a internet,
chegaram os tablets, os celulares, os smartphones, as redes sociais.
Desde 1999, a “folha centenária” se apresenta em ambiente
virtual, primeiro de forma estática, repercutindo o conteúdo impresso. Com a
implantação do jornalismo on-line, o processo inverteu-se: a plataforma de
tinta e papel passou a servir de eco ao que se publicava na rede mundial de
computadores.
Os leitores também mudaram o comportamento. De cem acessos
digitais contra tiragens que atingiam cinco mil exemplares, chega-se à
distância abissal entre as 80 mil páginas virtuais acessadas e os mil
exemplares tirados por dia.
O passo de hoje é necessário e natural, embora pareça tão
ousado e pioneiro quanto o de Jeremias da Rocha Nogueira, naquele 17 de outubro
de 1872.
Tenho orgulho de fazer parte desta história e desta equipe
que testemunha a inauguração de uma nova era para o jovem centenário que não se
assombra com as transformações e não tem medo de evoluir.
Ou alguém acha que deveríamos, por saudosismo, voltar aos
tipos móveis?
“O meio”, já dizia McLuhan, “é a mensagem”. Nosso papel é a
notícia. E o mundo, nosso limite.
sábado, 28 de novembro de 2015
Tidó
Conhecia Tidó desde sempre. Foi ídolo de gerações. Meu pai, criança, ouvia suas aventuras. Eu, menino, viajava nas histórias sobre o Mar das Maias, as botijas, as façanhas do lendário Jeremias, o batatão, a nuvem chupando água, os mal-assombros, as pescarias épicas.
Ele e Ananias, outro lobo do mar, presenças constantes no alpendre de meu avô, ali na franja da Pedra da Sereia, perto de Zé Chorão, onde a princesa encantada era prisioneira do monstro devorador dos homens que tentavam resgatá-la do feitiço sabe-se lá de quem.
Zé Chorão tinha um restaurante no sopé do Morro das Sete Cores, ao lado de uma vertente cristalina. Lembro-me dele vagamente, embora saiba que são seus filhos Cid, Célia, Cesar, Rosalina, Vilma, Dalila e Sansão, cujos nomes Rafael da Agrotec não me deixa esquecer.
Ananias partiu faz tempo. Antes do que Pirá, o mecânico que via elefantes verdes nas imediações dos pingas. Tidó viveu 92 anos, segundo soube, tanto ou mais que Ananias, que era muito idoso, embora não saiba dizer o quanto. Pirá se foi jovem, por culpa do alcoolismo.
Meus três filhos, fiz questão de apresenta-los a Tidó. Certo dia, chamaram-me à direção da escola de Cid Filho, o do meio. Os colegas – queixavam-se pais sem imaginação – tiveram pesadelos depois de ouvirem o causo do homem que encontrou o tinhoso embaixo d’água.
A história é engraçada e foi contada por Tidó a meu tio Laete. Disse-lhe que pescava a 70 quilômetros da costa com dois companheiros numa jangada. Na hora do retorno, a fateixa (espécie de âncora) estava enganchada no fundo e ele mergulhou para resolver o problema.
Quando nosso herói aproximou-se, a surpresa: quem o esperava – de rabo, chifre, barba e bigode – era o capiroto em pessoa. Ao vê-lo, o tinhoso, o coisa ruim, começou a soltar fogo pelos olhos, enquanto girava a cabeça no próprio tronco e o desafiava de tridente em riste.
Os companheiros da lida das marés não chegaram a ver o beiçudo, porque lhes faltou a coragem do amigo para conferir o fato, mas garantem que em consequência do susto, os olhos de Tidó encostaram-se um no outro e, a partir daquele momento, o cabra ficou zarolho.
Tidó é inesquecível igual a Ananias, Pirá, Zé Chorão, que nem Josefina, a inventora das garrafas de areias coloridas, personagens da Tibau de morros exuberantes, do grude e do gelé. O velho pescador foi navegar no mar da saudade. E lá vai ele na barra do horizonte.