sábado, 9 de julho de 2011

Without words



É como todo mundo fica, “sem palavras”, quando assiste ao vídeo-documentário cujo título ouso reaproveitar, no qual a produtora Almudena Tora revela o drama de Jack Agüeros para os webleitores do jornal The New York Times. O poeta nova-iorquino, autor de obras reverenciadas como Lord, Is This a Psalm? (Senhor, isso é um Salmo?), sofre do mal de Alzheimer faz sete anos, e chora ao relembrar vagamente de um dos tantos livros que escreveu.

“Meu pai não consegue mais escrever nem ler”, conta o filho Marcel. “Eu me recordo do tempo em que ele escrevia. Ficava acordado a noite toda, feito um maluco”, diz a filha Natalia. “Não ficou nada na minha cabeça”, responde Agüeros, de semblante sereno, voz mansa, corpo fragilizado. Ensaia um carinho na cadela Niki, a quem chama de “La Nicaña”, e, ao ser instigado acerca do quanto produzia, lamenta: “Devia voltar a escrever... É bom para o coração”.

O prato de comida, a colher, os remédios, as plantas no umbral da janela, o manuscrito, uma antiga canção em louvor à manhã, outra revelação: “Não me lembro dos meus poemas”. Recordou-se, por evocação de Natalia, do livro Correspondence Between the Stone Haulers (Correspondência entre Carregadores de Pedras). Foi aí que riu brevemente e pôs os dedos enrugados sobre a boca tentando disfarçar a emoção contagiante. Foi aí que me fez chorar.

O vídeo se encerra com mensagens humanitárias valorosas não somente para familiares de pessoas que vivem com Alzheimer, mas também para aqueles que nunca se imaginaram na situação nem de uns nem de outros. A experiência compartilhada pela família Agüeros ensina a amar acima das aparências, além de como desejamos que os indivíduos sejam, a valorizar o momento – o carpe diem, de Horácio –, pois “o que você tem hoje pode se perder amanhã”.





VEJA TAMBÉM O VÍDEO ORIGINAL DO THE NEW YORK TIMES.

2 comentários:

Pedra do Sertão disse...

Oi, Cid, estou a conferir sua dica! Abraço. Araceli

Pedra do Sertão disse...

Oi, Cid,

também me emocionei com o vídeo e a história do poeta, fiquei a pensar e o que pensei foi para o Pedra do Sertão.

passe por lá para ver!

Abraço