sábado, 10 de janeiro de 2009

Atleta tampax

Destemido, subi ao tabuleiro da balança. Os olhos vermelhos da máquina reviraram-se nas próprias órbitas por instantes até repousarem, sarcásticos, o primeiro sobre o oito e o segundo sobre o zero. Minha nossa, 80 quilos cravados, 10 acima do ideal para minha estatura mediana, sobrepeso incômodo para quem, desde jovem, sofre de hipertensão arterial e suporta severas crises de artrite.

Na semana seguinte, depois de esmiuçar a bateria de exames, de conferir o meu peso e de esticar a fita métrica para medir-me a circunferência abdominal, a médica prescreveu, sem dó nem piedade, duas coisas aterrorizantes: dieta e exercícios. Pela dieta, nem tanto, mas atividade física, para um sedentário convicto e militante, é algo pior que a peleja de mestre Alfredo com a besta-fera.

Engraçado. Eu gostava de praticar esportes. Treinei basquete no Santa Luzia, embora fosse o baixinho da turma e passasse a maior parte do tempo no banco de reservas do time de Gilson. Depois, lá mesmo no Colégio dos Padres, integrei a equipe de atletismo coordenada por Tananam, conquistando o honroso quinto lugar em arremesso de peso numa prova disputada por cinco atletas.

Realizei a façanha de me tornar medalhista no handebol sem ao menos pisar na quadra. Ou melhor, sem sequer assistir ao jogo. Digo, sem saber nem onde diabos se realizou a tal partida. Emprestei meu nome, atendendo ao apelo de alguém, para complementação da equipe: o famoso atleta tampax. Dei sorte, fazendo jus à medalha que me foi entregue dias depois, pelo técnico da equipe.

Dono da bola de futebol, emprestava-a sem problemas, desde que não fosse convidado a jogar. No surfe, enquanto a galera arrepiava nas manobras, eu permanecia sentado na prancha, para lá das ondas, conversando miolo de pote até a hora em que as moças se aglomeravam na praia. Bastava-me que elas me vissem com a potente quadriquilha embaixo do braço. Nunca me enxergaram.

Experimentei o caratê. Cada vez que os caras gritavam “Kiaaaiiii”, eu ria tanto que acanalhava o treino. Joguei capoeira e quase acabei preso junto aos colegas do grupo Abadá. O delegado não admitia “vagabundagem” em praça pública. No judô, venci uma luta após cinco anos, quando o oponente errou o golpe e me derrubou sentado na barriga dele, que desmaiou. Imagine o desespero!

Por último, tentando seguir as orientações clínicas, visitei academias e descobri, no olho, que puxar ferro é o ó do borogodó. “Que tal pedalar? Pedalar ao ar livre...”, alguém sugeriu. Beleza, comprei logo uma bicicleta no Vuco-Vuco. Só falta agora cair na rua. Espere! E se me enquadrarem nas estatísticas funerárias do trânsito caótico de Mossoró? Pensando bem, eu nem estou tão gordo.

4 comentários:

herbenia disse...

amei o artigo sobre o atleta tampax e concordo plenamente puxar ferro é o ó do borogodó. viva o sedentarismo kkkkkkkk!

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Oi, Herbenia, volte sempre.

Cid

ANNA JAILMA - annajailma@yahoo.com.br disse...

Adorei e melhor ( ou seria pior?)me identifiquei...[risos] Estou pensando em tomar chá ( de todas as cores) e fazer yoga. Acho que combina mais comigo...Só espero que funcione como exercício pra emagrecer.
Ah, se você mora em Mossoró, tente a academia de dança de Clézia Barreto. Na época que morei em Mossoró visitei a academia de Clézia e fiquei encantada. Acredito que na turma da Street Dance você consiga perder peso. Boa sorte!

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Oi, Jailma, obrigado pelo conselho.
Cid